Sobras de tecido serão fonte de renda para mulheres no DF

Duas regiões administrativas do Distrito Federal que estão entre as de menor renda na região – Estrutural e Recanto das Emas – começam a ter um projeto que abrange a sustentabilidade nos níveis econômico, social e ambiental.

O projeto “Reúso de resíduo têxtil e produção comunitária de pães e alimentos” vai reutilizar retalhos de tecido e roupas que seriam descartadas para a confecção de novas peças, permitindo gerar ganhos mensais e autonomia para mulheres em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa é realizada pelo Instituto Proeza e tem o apoio da Fundação Banco do Brasil.

O projeto vai oferecer gratuitamente capacitação em bordado manual, crochê, costura em máquina industrial, tecelagem, tingimento orgânico, panificação, educação financeira e plano de negócios.

No final de julho começaram as primeiras oficinas – de bordado e crochê – no Recando das Emas. O interesse foi grande, chegando a 90 alunas inscritas.  Mais da metade das participantes foram encaminhadas pela rede de assistência social local, e muitas delas são vítimas de violência doméstica, segundo a presidente do Instituto Proeza, Kátia Ferreira. Junto com a capacitação para o trabalho, as alunas constroem um espaço de amizade e confiança. “Pra mim está sendo excelente, porque além da renda, ajuda muito no psicológico da gente, na autoestima”, afirma Maria Juliana da Silva, de 43 anos, que já fez aula de bordado no instituto e agora está aprimorando a habilidade.

Marilene Pereira, de 49 anos, é aluna da turma de costura e está animada com a oportunidade. “Estou amando participar, eu sempre tive vontade de aprender a costurar. E as minhas amigas do curso são muito legais”.

Outro motivo de satisfação para as participantes é que as filhas podem frequentar aulas de balé oferecidas por uma professora voluntária no mesmo horário das oficinas. É uma forma de deixar as mães despreocupadas e estimuladas para o aprendizado. “Ela está gostando muito e eu posso estar perto dela, participar e acompanhar”, afirma Ana Lídia, aluna de crochê e mãe de uma menina de 6 anos. Em breve haverá nova atividade voltada para os meninos – reforço escolar – com estudantes da Universidade de Brasília (UnB) como monitores voluntários.

O projeto também terá oficina de panificação e está estruturando uma unidade de produção de pães e confeitaria, um pedido que veio da própria comunidade, já que muitas mães têm como prática a produção caseira de pães e bolos.  A expectativa é que a padaria venda as guloseimas na própria região e abasteça com lanche os eventos relacionados à divulgação dos produtos feitos pelas costureiras.

Por fim, para que as mulheres aprendam a gerir as finanças do empreendimento coletivo ou individual que surgirão após as capacitações, será oferecida oficina de educação financeira e plano de negócios.

Produção responsável

Enquanto as participantes aprendem novos ofícios, os idealizadores do projeto articulam parceiros para viabilizar a matéria-prima para os novos produtos finalizados pelas mãos das futuras costureiras. Já contam com doadores de tecidos e de roupas usadas para a customização e confecção de peças novas.

A presidente do instituto Proeza, Kátia Ferreira, que pesquisou iniciativas de reciclagem de produtos têxteis, informou que a indústria da moda causa bastante impacto ambiental.  No segundo lugar no ranking das mais poluentes, perde apenas para a indústria (azul) do petróleo. O impacto ocorre em toda a cadeia produtiva têxtil, com a contaminação do solo, consumo de água e de energia, emissões de gases poluentes e geração de resíduos. Em levantamento feito com confecções do DF, Kátia estima que são geradas cerca de 155 toneladas de retalhos por mês na região. “Conseguir resíduos como matéria-prima para o projeto é fácil. As grandes confecções têm tanta necessidade de fazer o descarte que estão doando e ainda oferecendo a logística para entregar”, afirma Kátia.

O projeto é todo orientado para o reaproveitamento de materiais, inclusive no tingimento, que vai utilizar matéria-prima natural, como borra de café, sobras de legumes de feiras livres (cenoura, beterraba, cebola) e madeiras descartadas em podas de árvore. Além do baixo custo, os corantes naturais também têm a vantagem de não contaminar a água e o solo. A proposta está de acordo com o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) de número 12, que tem como tema “Consumo e Produção Sustentáveis”.  O ODS 12 é um dos 17 que compõem a Agenda 2030, adotada pelas Nações Unidas (ONU) para orientar os países  a tomar medidas pelo desenvolvimento sustentável do planeta.

Contato com o projeto:

Instituto Proeza

Telefone: presidente, Kátia Ferreira – 98209-7000

E-mail: apoenak@gmail.com / ssproezarecanto@gmail.com

Endereço: Quadra 200, conjunto 3, lote 5, Recanto das Emas – DF

Material produzido pela Fundação Banco do Brasil.